O Filme Juno (do mesmo diretor do filme Obrigado por Fumar) conta a história de Juno MacGuff (Ellen Page do filme Menina Má.com), uma adolescente de 16 anos que engravida de seu melhor amigo. Com a ajuda de sua melhor amiga e o apoio de seus pais, Juno conhece um casal para a adoção de seu filho, que ainda nem nasceu.
O roteiro do filme (roteiro vencedor do Oscar 2008), escrito pela blogueira Diablo Cody, conta os nove meses da gravidez de Juno, desde seu método “divertido” para confirmação da gravidez, até a opção pelo não aborto e a escolha dos pais para a adoção de seu bebê.
Juno (Ellen Page), adolescente precoce, intelectualizada e bem humorada, é a personagem principal, mas o longa conta também com personagens como o intimista e desengonçado Bleeker (pai do filho da Juno), que além de ser um “viciado” em TicTac laranja, também pode ser considerado um Indei. Há também o casal formado por Vanessa, que não pode ter filho e possuí TOC, e Mark, roqueiro incondicional que para agradar a esposa larga a carreira musical e compõe jingles em seu pequeno estúdio doméstico.
O filme conta com uma trilha sonora incrível (aconselho a procura de mais informações dessas bandas) com as bandas Belle & Sebastian, Cat Power, Barry Luis Polisar (com a música tema All I want is you), Buddy Holly, Kimya Dawson, The Moldy Peaches, Sonic Youth entre outras.
Como disse antes, a fotografia é linda, mas nada comparado, na minha humilde opinião, à animação inicial do filme.
Bem, todas essas informações podem mascarar o tema central do filme: decisão pelo não aborto e entrega a adoção. Se pararmos para pensar, atrás de toda essa roupagem “cool” o filme trata de uma forma simplória o tema da gravidez na adolescência. Temos uma realidade brasileira, onde cerca de 20%* das crianças que nascem são filhas de adolescentes, número que representa três vezes mais garotas com menos de 15 anos grávidas que na década de 70. Segundo um estudo sobre o comportamento sexual de adolescentes e jovens, realizado pela BEMFAM, Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil, 40%** das adolescentes não esperavam engravidar. Como explicar estes números? Ingenuidade, falta de informação ou erotização?
De qualquer forma, fica aí uma ótima dica de filme, assisti-o e pensei que por trás de toda essa roupagem “cool” de Juno há uma realidade que não é muito legal e que tem mudado a vida de muitas crianças e adolescentes de nossa sociedade, que, infelizmente, não conseguem um final feliz como o do filme.
* fonte: www.sexxxchurch.com/?p=42
** fonte: www.sexxxchurch.com/?p=154
Ricardo Oliveira
fevereiro 25th, 2008 at 7:35
Olá,
queria só te convidar a uma leitura do meu texto sobre o filme:
http://diversita.blogspot.com/2008/02/ela-no-sabe-quem.html
abraço’s
Fabio Alexis
março 6th, 2008 at 12:44
Olá Ricardo, obrigado pela visita e pelo seu comentário. Creio que você teve uma visão diferente e válida sobre o filme. Eu particularmente, continuando crendo que o filme Juno não se trata do alto conhecimento, mas sim de consequências. Um forte abraço e vamos nos falando.